Meu nome é Pedro Aguiar Chavedar, 19 anos, estudante pré-vestibular, nascido em Mogi das Cruzes, Grande São Paulo e mais novo brasileiro a concluir um anticurso de Jornalismo planejado e orquestrado brilhantemente pela Caros Amigos.
Confesso meu pioneirismo no mundo da revista. Não sei se pela forte presença da “mídia gorda” em meu município ou pela minha falta de iniciativa. Descobrir vocês através do meu pai que adquiriu o exemplar especial do Che Guevara. A partir do então, faço o possível para me manter em contato com essa excelência jornalística.
Voltei para casa hoje, pensando no que realmente significava ser um jornalista e o que o anticurso trouxe para minha vida. Como os gigantes palestrantes disseram, ser um jornalista é possuir talento, é natural, não se cria um bom redator, apenas se lapida. Ensinaram-me a importância social e democrática dentro do rótulo e do nome “jornalista”. Informar à população. Ser ético. Democrático. Manter valores. Nos meus mais de 10 anos como estudante fiel e participativo em todos os patamares da educação básica, fundamental e média, nunca aprendi tanto quanto nesses dois finais de semana ouvindo, discutindo e interagindo com mestres da mídia.
Acho que é esse o papel da mídia séria, como a Caros Amigos: formar, além de tudo, cidadãos conscientes, pensantes das imposições dos aglomerados midiáticos. Fico feliz com essa proeza feita por vocês, pois, com um mundo capitalizado, rápido e feroz, modificar o que já está impregnado há séculos, é uma missão árdua. Mas acho que é isso que anima vocês. Quanto maior o obstáculo, maior a vontade de mudar o panorama nacional.
Outro papel importantíssimo desse anticurso foi à discussão sobre os movimentos sociais. Ferrez disse sobre a favela, Bourdoukan sobre o massacre no Norte do país, o MST foi unanimidade. Um tema colocado de lado pelo grande monopólio da informação, teve espaço com vocês. Aprendi muito e ouvi também fatos e notícias jamais vistas e relatas por canais de televisão e artigos de jornais. Fatos, esses, importantíssimos e piores que muitos ocorridos e noticiados. Aprendi a ver o próximo com outros olhos.
Podem dormir tranqüilamente. Todos. Myltainho, Arbex, Zibordi, Tognolli, Hamilton, Bourdoukan, Sérgio, Férrez, Thiago, estagiários...
Vocês conseguiram a essência desse anticurso comigo: criar uma consciência ética, uma preocupação social, para que eu não enriqueça na profissão e não caia na tentação dos terrorismos midiáticos.
Eu só tenho que agradecer a todos vocês.
Espero que os 500 anos de escravização nacional acabe um dia e que, finalmente, a democracia e a ditadura sumam desse país.
Um abraço aos meus Caros Amigos,
Pedro Aguiar Chavedar
Texto enviado à redação da revista Caros Amigos.
Georges Bourdoukan publicou-o em seu blog:
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/
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