terça-feira, 29 de abril de 2008

Ex-Futuro

De que vale te procurar,
tentar te ver, te surpreender?
De que vale aparecer, sonhar,
tentar te entender?
Nada adiantou, nada modificou.
Tentativas frustadas de um futuro,
um ex-futuro.
Culpa do passado que voltou maduro.
Sem sinal, voltou e te alterou,
afetando o nosso futuro.
Um futuro a sós
sem que haja nós
sempre me encantou,
sempre me alterou.
Parado na sua,
estou eternamente.
Pensando na gente,
vou te conquistar.
Como um sonho, você apareceu.
Rosas leves ao ombro seu.
Um sorriso encantador
e o seu jeito me conquistou.
Pena que a história nos separou
e o passado retornou.
De que adianta eu esperar?
Se você já tem olhos pro seu par.
Se o futuro não chegar?
Ficarei no meu lugar.
Sempre a te desejar.
De próprio punho...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Teatro Brasil

O mundo mascarado nos tempos feudais e burgueses da Europa pioneira, era visto apenas nas festas elitistas das cortes. Duques, barões e condes camuflam-se atrás de personagens, liberando os instintos mais plebes e comuns do ser humano. Instintos esses repugnados durante os chás imperiais. Séculos passaram e a tentativa de tentar ser o que não se é, continua sendo usada a todo vapor.O sistema capitalista globalizado impulsiona o igualitarismo social, propagando as idéias de “certo” e “errado” à população. Atualmente, perde-se a individualidade e a identidade do Homem, em virtude de que não interessa aos grandes burgueses atuais quem são as pessoas. Vale o que elas podem gastar. Com isso, indivíduos acabam se tornando figuras teatrais, criações imaginárias de suas mentes atordoadas pelo consumo feroz e degolador. A ilusão contamina seus pensamentos, gerando mudanças comportamentais e sociais. Indústrias dominadoras riem a toa e nadam em um mar de ouro.Interesses pessoais também mascaram um cidadão. A necessidade de um melhor emprego, com qualidades e pensamentos em oposição à de um desempregado, é um exemplo simples e cotidiano desse mascaramento social. Maneiras de se viver em sociedade são impostas aos interessados em viver bem. Como tudo na vida, não agrada totalmente. Porém, os contrariados com os “mandamentos” civis, preferem se esconder atrás de uma mentira, regando-a com convicção, ao invés de ser o que realmente são.Exemplos de falsidade descarada acontecem sempre e impulsionam o restante da sociedade. Os personagens dominantes da política nacional vivem em pedestais banhados a ouro, iludindo o povo com palavras ao vento.Suas aparições assimilam-se com manifestações teatrais arcaicas, recheadas de dramas, egocentrismo e mentiras. O circo eleitoral se espalha de Manaus a Porto Alegre, propagando as calúnias aos quatro cantos.Um símbolo carnavalesco acaba sendo usado para iludir e manipular o próximo. A máscara utilizada por Pierrot e Arlequim na animação é utilizada por difamadores engravatados no cerrado brasileiro. O teatro Brasil com os mascarados comandantes coordenam a boiada pobre e desinformada na maior cara de pau.
Bourdoukan publicou esse texto em seu blog:

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A desculpa da privacidade

Sobre o que, realmente, a população possui o direito de saber? A necessidade da informação é positiva ou apenas curiosidade? Vivemos em um país democrático, onde todos possuem o direito à informação e à privacidade, sempre respeitando o indivíduo alheio e o que designa a lei.
Escândalos políticos em que violações contra a individualidade de políticos, banqueiros, mafiosos ou suspeitos são freqüentes, ocorre sempre o questionamento da infiltração, por parte das investigações, na vida particular dos cidadãos. Quando uma rede corrupta é desmembrada, obviamente a vida do acusado deve ser vasculhada, principalmente se houver dinheiro público “na sujeira”, pois o crime lesou a sociedade, o que contradiz o seu cargo legislativo. Porém, toda investigação deve seguir conforme a lei, respeitando os limites constitucionais.
Além da área política, as celebridades sofrem com a ausência do anonimato. Revistas sensacionalistas literalmente grudam nos famosos em busca de uma foto polêmica para a capa semanal, aguardada ansiosamente pelos leitores ferozes em saber da vida alheia. Como vivemos em um país politicamente livre, todos possuem o direito à informação, entretanto, a mocinha da novela, o galã do seriado, o bandido do filme, são “gente como a gente”. Erram, acertam, estão mal-humorados, perderam a hora, tropeçaram na escada, fatos banais que também ocorrem com eles.
A questão é a ganância da mídia em vender, independente da qualidade; A vontade de algumas personalidades em aparecer e a baixa cultura nacional, principalmente a classe mais humilde, que apenas se preocupa com a novela das 8 e quem separou de quem no meio artístico. Enquanto isso, sanguessugas, mensaleiros e “navalheiros” disputam para ver quem fatura mais do dinheiro público, sem preocupações, pois, no final, se esconderão nas brechas do Judiciário e no direito à privacidade.
Texto escrito em 04/07/2007