quarta-feira, 2 de abril de 2008

A desculpa da privacidade

Sobre o que, realmente, a população possui o direito de saber? A necessidade da informação é positiva ou apenas curiosidade? Vivemos em um país democrático, onde todos possuem o direito à informação e à privacidade, sempre respeitando o indivíduo alheio e o que designa a lei.
Escândalos políticos em que violações contra a individualidade de políticos, banqueiros, mafiosos ou suspeitos são freqüentes, ocorre sempre o questionamento da infiltração, por parte das investigações, na vida particular dos cidadãos. Quando uma rede corrupta é desmembrada, obviamente a vida do acusado deve ser vasculhada, principalmente se houver dinheiro público “na sujeira”, pois o crime lesou a sociedade, o que contradiz o seu cargo legislativo. Porém, toda investigação deve seguir conforme a lei, respeitando os limites constitucionais.
Além da área política, as celebridades sofrem com a ausência do anonimato. Revistas sensacionalistas literalmente grudam nos famosos em busca de uma foto polêmica para a capa semanal, aguardada ansiosamente pelos leitores ferozes em saber da vida alheia. Como vivemos em um país politicamente livre, todos possuem o direito à informação, entretanto, a mocinha da novela, o galã do seriado, o bandido do filme, são “gente como a gente”. Erram, acertam, estão mal-humorados, perderam a hora, tropeçaram na escada, fatos banais que também ocorrem com eles.
A questão é a ganância da mídia em vender, independente da qualidade; A vontade de algumas personalidades em aparecer e a baixa cultura nacional, principalmente a classe mais humilde, que apenas se preocupa com a novela das 8 e quem separou de quem no meio artístico. Enquanto isso, sanguessugas, mensaleiros e “navalheiros” disputam para ver quem fatura mais do dinheiro público, sem preocupações, pois, no final, se esconderão nas brechas do Judiciário e no direito à privacidade.
Texto escrito em 04/07/2007

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